Novos procuradores celebram marco histórico e primeiro ano de atuação na PGE-SP
Dia da posse dos novos procuradores
Primeiro concurso com aplicação de cotas na instituição começa a redesenhar o perfil da advocacia pública paulista; Lorena Ferraz, Simone de Sá e Lucyomar França Neto da Silva trazem depoimentos emocionantes sobre acolhimento, desafios e a missão de servir à sociedade
Há exatamente um ano, a Sala São Paulo sediava uma das cerimônias mais emocionantes e representativas da história da advocacia pública paulista: a posse dos novos procuradores e procuradoras do Estado. Celebrado pelo Sindiproesp como um divisor de águas, o concurso marcou a primeira aplicação de políticas de cotas na PGE-SP, inaugurando uma instituição mais plural, diversa e conectada com a realidade social.
Para celebrar os 365 dias desse marco histórico, o Sindiproesp conversou com três integrantes dessa geração de “novíssimos” — como são carinhosamente chamados na carreira. Através dos relatos de Lorena Ferraz, Simone de Sá Lemos Chaumette e Lucyomar França Neto da Silva, fica evidente como a pluralidade de suas origens e trajetórias enriquece diariamente a defesa do interesse público e a promoção da Justiça no Estado.
Acolhimento que faz sentir “em casa”

Assumir as funções em uma nova estrutura e lidar com o expressivo volume inicial de demandas é sempre um teste de fogo. Para Lucyomar França Neto da Silva, de 32 anos — hoje lotado no Núcleo de Carreiras de Estado —, o maior desafio inicial foi justamente adaptar-se ao fluxo de intimações e processos. Contudo, ele destaca que o peso da rotina foi suavizado por uma postura ativa da instituição. “Iniciativas como o Projeto Elo e o Projeto Horizontes foram fundamentais para tornar a adaptação mais tranquila e demonstram a preocupação da instituição com as pessoas que a integram”, pontua.
Esse sentimento de receptividade é compartilhado por Lorena Ferraz, que tomou posse aos 44 anos. Escolhendo atuar na Procuradoria Fiscal — área na qual nunca havia militado no contencioso tributário —, ela encontrou um ambiente de mútua colaboração. “A adaptação na PGE-SP foi algo que eu jamais conseguiria imaginar: todos os colegas e toda a instituição nos receberam de forma muito especial e acolhedora. Me senti verdadeiramente em casa”, celebra.

Na Consultoria Jurídica da SPPREV, Simone de Sá, de 36 anos, enfrentou a complexa curva de aprendizado do direito previdenciário e suas constantes mutações legislativas. Ela reforça o valor do espírito solidário que encontrou nos corredores: “É muito notório que os procuradores são muito solícitos quando os procuramos, sempre dispostos a colaborar e conversar”.
O impacto real
Para Lorena, o ponto alto de seu ano foi a atuação direta no Acordo Paulista. “No mutirão de atendimentos, pude vivenciar o serviço público em seu mais puro e real significado, ou seja, servir à população”, relembra com orgulho.

Simone encontrou sua realização pessoal e profissional na lisura dos processos previdenciários, enxergando a previdência como um amparo em momentos sensíveis da vida, como óbitos e incapacidades. Para ela, combater irregularidades protege o patrimônio e garante recursos para outras políticas públicas. “Traz uma realização pessoal por acreditar na previdência como uma política pública que deve ser destinada ao público correto”, explica.
Já em sua passagem inicial pelo Núcleo de Políticas Públicas, Lucyomar vivenciou uma experiência emocionante que sintetiza o papel transformador da advocacia pública. Durante uma audiência presencial, participou da construção de um acordo que garantiu materiais adaptados e profissional de apoio para uma estudante com deficiência. “Durante a audiência, ela contou que seu sonho era aprender a ler e escrever. Ouvir aquilo me emocionou e me fez perceber, de forma muito concreta, o impacto que nosso trabalho pode ter na vida das pessoas”, relata.
Representatividade: Presente e futuro
Ao olharem para suas próprias histórias, os novos procuradores compreendem o peso simbólico e social de estarem ocupando esses espaços de poder.
“Ingressei no concurso mediante política de cotas como mulher negra e acredito que essa representatividade possa inspirar pessoas como eu. Venho de uma família simples, nascida e criada no interior da Bahia… É muito emocionante para mim dar esse orgulho para meus pais”, reflete Simone, que já planeja o futuro participando de grupos de trabalho e de cursos do Centro de Estudos da instituição.
Lucyomar ecoa o mesmo sentimento de orgulho e responsabilidade ao projetar seus próximos anos de carreira, focando na inclusão e na cidadania para pessoas em situação de vulnerabilidade, especialmente os jovens. “Espero que minha presença na instituição possa servir como referência para outros jovens que, assim como eu, estudaram em escolas públicas e sonham em ocupar espaços que muitas vezes parecem distantes. Quero demonstrar que esses sonhos são possíveis e que a educação continua sendo a ferramenta mais poderosa de transformação social”, afirma o procurador, vindo do interior de Mato Grosso.
Com a força e a garra demonstradas por Lorena — que sintetiza sua chegada com a frase: “Lutei muito para estar aqui, e essa luta não foi à toa; cheguei para somar, crescer e entregar o meu melhor”.
Para a presidente do SindiproesP, Anna Candida Serrano, a PGE e a sociedade paulista ganham em humanidade, eficiência e compromisso público. “Precisamos celebrar esse momento histórico que foi trazer a diversidade para dentro da PGE que enriquece a carreira com tantas histórias referenciais que representam a sociedade paulista e brasileira”, concluiu.
