Roda de Conversa no SindiproesP: fortalecimento de instituições passa por engajamento e pressão política da sociedade

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São Paulo, SP – O SindiproesP promoveu na quinta-feira 7 de agosto uma Roda de Conversa para celebrar o Dia do Advogado, comemorado no dia 11 do mesmo mês. O evento, realizado na sede do sindicato, reuniu os juristas Márcia Semer, Marcelo Semer e Rubens Casara para debater a “Análise da conjuntura da vida institucional no Brasil”. De acordo com os convidados, o fortalecimento de instituições passa por engajamento e pressão política da sociedade.

A presidente do Sindiproesp, Anna Candida Serrano, fez a abertura do evento, destacou a importância do encontro para a reflexão crítica sobre os desafios que o país enfrenta e ressaltou que, “cabendo ao Sindicato, nos termos de seu estatuto, a defesa do Estado democrático de direito, a realização de eventos como o de ontem se faz necessária, principalmente no momento atual em que a democracia no mundo está correndo sérios riscos”.

Participantes da Roda de Conversa
Participantes da Roda de Conversa

A discussão centrou-se na fragilidade das instituições democráticas diante do avanço da extrema-direita e da influência da racionalidade neoliberal. A procuradora aposentada Márcia Semer, vice-presidente do SindiproesP, iniciou a conversa com uma análise comparativa, traçando paralelos entre a situação política atual e a década de 1980. Ela ilustrou a exposição com os valores e o contexto abordados na novela Vale Tudo, que ganhou remake da Rede Globo e está no ar.

Márcia também destacou a inversão de valores e a ameaça à soberania nacional, citando como exemplo a interferência do ex-presidente norte-americano Donald Trump no processo judicial de Jair Bolsonaro. Ela ressaltou a necessidade de práticas de “democracia defensiva” em um cenário de instituições enfraquecidas.

A vice-presidente do SindiproesP ainda relacionou o cenário de ataque à institucionalidade com o esgarçamento das garantias próprias da burocracia weberiana, como é a advocacia pública.

O desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo Marcelo Semer aprofundou a análise sobre o paradoxo do Judiciário brasileiro, que enfrenta crescente desconfiança da população, mas é cada vez mais acionado para a resolução de conflitos, o que leva à judicialização da política. Ele argumentou que a reforma do judiciário sob a ótica neoliberal resultou em uma concentração de poder nas cúpulas, o que, em sua visão, exacerba a influência política sobre as decisões. Marcelo alertou para o perigo de práticas em que os princípios são violados em nome da preservação do direito.

Rubens Casara, juiz do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, complementou o debate, explorando a influência da tradição autoritária brasileira e da racionalidade neoliberal. Ele defendeu que a falta de uma elaboração histórica de eventos como a escravidão e a ditadura militar contribui para a manutenção de uma hierarquia social e do uso da força. Casara também introduziu o conceito de “idiossubjetivação”, a produção de sujeitos focados em si mesmos, o que facilita a manipulação da informação e a aceitação de narrativas autoritárias.

A Roda de Conversa foi concluída com um debate sobre o papel do Judiciário, a influência da mídia e a necessidade de uma contra-hegemonia para o resgate da democracia. Os participantes enfatizaram a importância da pressão política e da mobilização popular para o fortalecimento das instituições e para o combate à ameaça autoritária e neoliberal no Brasil.

Confira no YouTube do SindiproesP a Roda de Conversa na íntegra: